sexta-feira, 17 de abril de 2020
funghi trifolati (ou colunas jônicas)
um dos primeiros pratos que ana me ensinou a preparar foi funghi trifolati. cogumelos de tipos diferentes refogados com muito alho e muita salsinha, um hit de casa. mas há de se ter cuidado com os elfos que se agarram aos telhados. com o cogumelo também se faz poesia: com uma pequena faca wüsthof/o romântico fileleno/fatiou champignons/ e descobriu esbranquiçadas/colunas jônicas.
quinta-feira, 9 de abril de 2020
o bilboquinista de são miguel
numa de suas pinturas de brinquedos, george gütlich colocou um bilboquê ao lado de uma 'ruína' de voluta, emoldurados por uma barra de azulejos. e, diante de tanta luz, me lembrei de um exemplar que tenho comigo, com cerca de 100 anos, herdado do meu pai. um bilboquê torneado em madeira escura. detalhe: o pino onde a bola encontrava seu destino está desgastado, muito fino, muito menor do que o buraco a ele destinado, uma erosão que dá uma dimensão ao tempo. a prova de que o menino paulino, filho do juca e da gertrudes, da então pobre são miguel arcanjo, acertava muito o alvo, craque no bilboquê, com performances até perto dos 90 anos.
quinta-feira, 2 de abril de 2020
laranja flamejante
arroz quentinho e outras delícias saem de uma pequena panela le creuset, de cor flamejante, um laranja que vem da década de 30, informa o historiador bee wilson em consider the fork - a history of how we cook and eat. nesse livro, wilson relaciona a criação dos utensílios de cozinha às transformações no gosto e nas receitas e práticas culinárias. presenteei ana com essa panelinha e também uma chaleira da mesma cor deslumbrante - e como cozinham! Hoje há também traquitanas le creuset nas cores cereja, creme e grafite. a fabricante já fez produtos em amarelo elysees, nos anos 50, e em azul claro nos anos 60. wilson lembra que a cor azul foi sugerida por elizabeth david (1913-1992), a culinarista que levou a cozinha francesa, italiana e mediterrânea aos lares ingleses do pós-guerra. um azul inspirado nos maços dos cigarros gauloises, cigarettes que heitor ferraz deve ter fumado na sua temporada parisiense. ah!, elizabeth david tem um clássico: an omelette and a glass of wine (o meu é da the globe pequot press/1997).
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