segunda-feira, 16 de julho de 2007
barbera
degustamos um barbera d'asti, de canelli. terroir presente na rolha. e que se expande, doce. e vibra com uma massa com aromas da puglia.
beatrice russo
se me perguntassem, em qualquer ilha, em qualquer céu-mar, qual das maravilhas mereceria um lembrete radiofônico, eu lembraria de ondas, de azul celeste, de curvas e terras íngremes, mas faria como mario ruopollo, instigado por pablo neruda. diria ana, minha beatrice russo, minha beatriz de dante. e d'anunzio.
segunda-feira, 2 de julho de 2007
amancaya, flor de vinho
degustamos, eu e ana, um amancaya 2005, a uva malbec vencendo a cabernet sauvignon. amancaya, aprendemos no rótulo, é uma flor usada por índias nas regiões altas dos andes. vinho equilibrado, onde o álcool - e olha que são 14 graus - não aparece. proeza de catena e rothschild. daria para guarda de mais uma meia dúzia de anos, mas há infanticidas em ação. a harmonização à mesa de caraguá, aos pés da mata atlântica, contou com um fusili a matricciana, assinado pela chef anna, com dois enes de tão encantadora é a nipo-italiana.
a catedral e o museu
estava em colônia no dia em que inauguraram o museu ludwig. ondas de aço (que brilhavam ao amanhecer) ao lado da catedral de pedra enegrecida, com sua agulha de babel. na sala de max ernst e seus amigos, estudantes faziam tarefa sentados no chão. completam o cenário ao longo do reno o arco da ponte ferroviária. três tempos em um, mais o meu.
lâmpadas de quem não ouve
o quarto alugado, num apartamento acima de uma padaria, ficava a poucos quarteirões do parque eduardo VII e da fundação calouste gulbenkian. meu quartel-general em lisboa, em 1986. a dona do apartamento alugou o quarto, com direito a roupa lavada. quando se tocava a campainha, lâmpadas se acendiam em todos os cômodos. inclusive no banheiro com azulejos cor de rosa de cima a baixo. a banheira cor de rosa era cheia sempre que o hóspede mencionava a intenção de um banho, incluído no contrato. o aluga-se li no diário de notícias, ainda hospedado no residencial horizonte.
girinos no lajeado
vó rosa morava no lajeado, uma antiga fazenda de café em botucatu. meu tio joão era o eletricista. um grande sobradão de alpendre trabalhado, com várias casas conjugadas, de funcionários da fazenda. de um lado, o imenso terreiro de café e grandes escadarias para correrias e brincadeiras de fim de semana. mas mergulhando na floresta da frente, havia um caminho que levava a um lírico bambuzal e um riacho onde o silêncio só era quebrado pela alegria da caça aos girinos, absolutamente pretos. coletados com alma científica, eu e marco os levavámos para casa, na cidade. os girinos cresciam, perdiam a inocência, criavam pernas, viravam sapos e fugiam.
tzaziki de todas as grécias
pepinos sem as sementes, ralados. alho em pedaços minúsculos (ou grandes que possam ser vistos). coalhada, sal, pimenta do reino, um risco de azeite. essa a receita de casa, que marina e paula gostam de lamber os beiços. quem me ensinou foi ana. escreveu a receita numa página de uma cadernetinha quadriculada. eu estava de partida para santorini. e ela queria que eu mergulhasse nesse creme dos deuses-chefs. foi fácil encontrar um tzaziki, que dá sabor aos souvlakis de carneiro, mas podem forrar pratos ao longo do egeu.
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