quinta-feira, 26 de março de 2020

seu jaime

tínhamos sorte de ter o seu jaime como vizinho na rua tonico de barros, em botucatu. ele e a família viviam numa casa avarandada na esquina para a avenida. quando uma injeção era preciso, era hora do jaime farmacêutico percorrer a rua fincando sua silhueta modigliana na calçada. vinha com sua caixinha de latão. e todos sabiam quando uma gripe estava em curso por ali. era na caixa mesmo que a seringa de vidro pegava o fogo da  esterilização. o álcool, cheiroso. as ampolas eram quebradas com serrinhas muito brancas, boquinhas em vê. não lembro de choro, o que não significa nada. 

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